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O NATAL E OS IMPERADORES

Acabamos de comemorar mais um Natal. Alguns cristãos não gostam da época natalina. Seja pelo consumismo, centrado na pessoa do Papai Noel, seja pela veneração excessiva da figura do menino Jesus, que estaria descolada do Jesus adulto, Senhor e Salvador. Soma-se a tudo isso o cenário europeu, a neve, o pinheirinho, em contraste com nossa realidade tropical. Há também os que não gostam da forma pela a data do Natal qual foi marcada . Foi por decreto do imperador Constantino, recém-convertido ao cristianismo. Ele quis substituir o culto ao deus Sol, celebrado no inverno do hemisfério norte, dia 25 de dezembro, pelo culto ao nascimento do Sol da Justiça, Jesus Cristo. Pois então o Natal teria essa origem burocrática e pagã, portanto espúria e sem referências na Bíblia. Além disso tudo, para alguns a data de 25 de dezembro seria improvável para uma viagem de Nazaré a Belém, como a que fizeram José e a gestante Maria, em pleno inverno. Eles teriam escolhido outra data para viajar. Co...

AS MULHERES DO NATAL

Na moderna Atenas, o hospital de pronto-socorro mais movimentado da cidade se chama Evangelismos. Essa palavra tão conhecida nossa nos faz imaginar que os pacientes chegam lá para se tratarem e saem de lá convertidos... Só que na Grécia ortodoxa, Evangelismos é o momento em que o anjo Gabriel anuncia a Maria que ela vai ser mãe do Salvador. Ou seja, é o que em nossa língua chamamos de Anunciação. Esse momento da Anunciação faz de Maria a mulher mais central do Natal, com justiça. Porém, outras mulheres são mencionadas na narrativa do Natal, especialmente pelo evangelista Lucas. A primeira delas é Isabel, esposa do sacerdote Zacarias, mãe de João Batista. A anunciação aqui foi feita não à mãe, mas ao pai. Isabel, quando se viu grávida, recolheu-se à sua casa, talvez cercando-se de todos os cuidados para que nada acontecesse ao bebê (Lucas 1:24-25). Com certeza sua história se espalhou pela família toda, uma mulher que nunca tinha conseguido ter filhos estava agora grávida, um p...

IPU 30 ANOS

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Há exatos 30 anos reuniu-se em Atibaia (SP) um grupo de presbiterianos dos quatro cantos do país. Eles pensavam uma nova forma de ser igreja, e em um Brasil livre das ditaduras, militar e eclesiástica. Na época, poucos acreditavam que tal coisa seria possível. Aqueles que acreditavam eram acusados de serem comunistas ou liberais, ou as duas coisas, o que ocorria algumas vezes. No Brasil do “ame-o ou deixe-o”, uma coincidência perigosa, que obrigou muitas pessoas a deixarem o país às pressas, e custou a vida de outras que não tiveram a mesma sorte. No dia 10 de setembro daquele ano, esse grupo de presbiterianos construiu um vínculo entre as igrejas representadas, que recebeu o nome de FENIP – Federação Nacional de Igrejas Presbiterianas. Apesar do nome, a federação surge com uma identidade confessional e documentos de profundo conteúdo teológico e pastoral: Manifesto, Declaração, Pronunciamento Social... Cinco anos mais tarde (1983) a federação assume sua identidade eclesiológica. ...

João, o apóstolo e o patriarca

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No fim do primeiro século da Era Cristã, o discípulo João, autor do quarto Evangelho, fixou residencia em Éfeso, e lá constituiu uma importante igreja. Essa igreja ficou conhecida como comunidade Joanina, tal a importância do trabalho do apóstolo, que lá morreu em idade avançada. Na última terça-feira, dia 8, despedimo-nos de nosso fundador e Pastor Colaborador, Rev. John Miller, ou João, como gostava de ser chamado. O culto de corpo presente realizado às 15 horas encheu nosso templo, e mais pessoas teriam vindo se não estivéssemos em alta temporada de férias. Olhando para a trajetória de João Miller é impossível não perceber alguns traços marcantes. Um jovem estudante de teologia sente o chamado de Deus para servi-lo em outro país, talvez a China. Entretanto, a situação política do Oriente muda, e ele toma conhecimento de um campo carente da pregação e da ação do Evangelho na América Latina. Este campo é o Brasil. Aqui chegando, é enviado para uma região no meio do nada, onde só h...

PARIS

Em Paris tivemos um susto: chegamos debaixo de nevoeiro e zero grau de temperatura. Fomos para o hotel e resolvemos sair para o Arco do Triunfo (Place de l'Étoile) e para a fila da Torre Eiffel. Na fila, parados, a sensação térmica com o vento era de 5 graus negativos, por aí. Todos os brasileiros presentes praguejavam contra o frio, e alguns desistiram, nós inclusive. Durante a semana o tempo melhorou, mas veio uma chuvinha chata, uma garoa que molhava a rua mas não justificava uso de guarda-chuvas. Também, já estávamos na segunda quinzena de novembro, mas chegamos a ter dias ensolarados e bonitos. Se Roma lembra Belo Horizonte, Paris lembra São Paulo. São centenas de bairros com vida própria, teatros, comércio, cinemas, metrô, uma cidade que não dorme, um movimento efervescente. Mesmo sem as muralhas de Roma, em Paris as antigas portas medievais continuam servindo de referência para a cidade: Porte de Clignancourt, de Clichy, de Saint-Ouen, etc. São nomes comuns de estações de...

UM PASSEIO PELA EUROPA

Agora em novembro eu e Teresa estivemos na Europa. Foram dezesseis dias que passaram bastante depressa. Não quero falar das grandes atrações turísticas. Quero falar de aspectos do dia-a-dia da população local, que pudemos perceber nesse breve período, como se fosse um encontro de culturas. Alguns dos leitores devem se lembrar daqueles antigos livros didáticos brasileiros que descreviam as estações do ano. No outono, as folhas começavam a cair das árvores, que ficavam desfolhadas no inverno, cobertas de neve... Pois é, na Europa é assim. As ruas estavam cobertas de folhas, principalmente em Paris. Aí a gente vê de onde tiraram esse modelo, porque não tem nada a ver com um país tropical. Passamos por Lisboa, demos uma volta pela cidade entre a chegada do Brasil (de manhã) e a partida para Roma (à tarde). Deu tempo de almoçarmos um bacalhau que, honestamente, ficou devendo. Mas ficou a sensação de que temos que voltar lá com mais tempo. O centro é todo calçado com pedras portuguesas. (...

NÃO AO ABORTO: e daí?

Belo Horizonte é uma cidade que está sempre presente no meu coração. Coisas que lá acontecem mexem comigo. Então, quando vejo mães jogando fora filhos recém-nascidos, lançando-os na Lagoa da Pampulha (pertinho de onde eu morava) ou na região industrial, onde passa o ribeirão Arrudas, e depois em Ibirité, isso me causa um sentimento que vai além do horror ao infanticídio. Ressalvado o folclore sobre a TFM (Tradicional Família Mineira), em Minas também se aborta, como em qualquer lugar, e também se engravida fora de hora, se é que existe hora certa para nascer e morrer. A maior parte de nós, habitantes do planeta, nascemos por descuido. Planejados mesmo só os fertilizados in vitro, e mesmo assim onde era para vingar um só costumam vir trigêmeos... Os meninos e meninas boiando nos ribeirões e lagoas de Minas e do Brasil em sacos de lixo (e não no gracioso cestinho de Moisés no rio Nilo) não foram abortados. A gestação transcorreu até fase bem adiantada, oito meses, ou a criança nas...